
Domingo, 05 de fevereiro de 2012
A aposta emergencial nas categorias de base do clube começou tumultuada, com o início pífio do "time sub-20" do Nad ganhando apenas uma partida de quatro disputadas. A torcida mostrava toda sua insatisfação boicotando os jogos do clube, que contavam com públicos bem abaixo dos habituais. No RexPa, muitos torcedores bicolores imaginavam sofrer uma goleada para o maior rival, e preferiram ver o clássico pela TV. A vitória por 2 a 0 no Mangueirão foi responsável por apaziguar os ânimos na Curuzu e embalar a equipe, grande parte dela formada pela prata da casa do clube, que inclusive participou da Segunda Divisão do Parazão, pelo Time Negra (Papão B). Segundo o diretor técnico do Paysandu, Carlinhos Dorneles, os riscos e o início instável na competição já eram esperados pela diretoria.
"Com as dificuldades financeiras, foi feito um projeto específico para a base, mas sabíamos que isso (instabilidade) iria acontecer nas primeiras rodadas. O mais importante no momento é preparar esses garotos que acabaram de subir para os profissionais, dando condições para que eles consigam jogar em alto nível nos 90 minutos", afirmou Dorneles, continuando: "Ainda não temos uma equipe técnica completa para atender aos garotos do sub-20, sub-17 e sub-15, mas o clube já entendeu a importância da base no clube e irá investir cada vez mais nesse setor. Os principais clubes do mundo hoje, Santos e Barcelona, fizeram isso e estão colhendo os frutos desse trabalho."
Depois de vários anos atuando nas categorias de base do Clube do Remo e praticamente não ter recebido salários - situação está na justiça do trabalho -, Dorneles acumulou experiência de sobra neste segmento, tanto que revelou vários jogadores em peneiras pelo interior no Remo, inclusive o agora bicolor Héliton, melhor jogador em campo do último Clássico Rei. Num cargo diferente no novo clube (diretor técnico), Dorneles é um dos responsáveis por promover essa transição meteórica dos garotos da base para o time de cima, e para isso tomou algumas precauções. "Como o clube está sem dinheiro, procuramos ser muito criteriosos em relação aos reforços, como foi o caso do (meia) Kariri e do (zagueiro) Douglas, que deram mais experiência ao jovem elenco. O custo benefício é muito importante, pois a folha do Paysandu é uma das mais baixas dos últimos anos e estamos bem na tabela, contrariando muitas pessoas que não acreditavam no projeto", afirmou.
Atualmente, os times de baixo do Paysandu treinam na base da Aeronáutica, através de um convênio firmado com o clube, garantindo ao menos um espaço para a prática de futebol para os garotos. Em relação às bolas, chuteiras, equipe técnica disponível, alojamentos necessários, acompanhamento psicológico e todo o aparato necessário para a fluidez de um bom trabalho, Dornelles admite que o clube ainda não dispõe da infraestrutura adequada, mas prefere focar nas melhorias (valorização da base) e visar o futuro. "A diretoria quer investir na base num projeto a longo prazo. Temos em vista fazer polos espalhados no interior, para garimparmos jovens talentos para o clube, recebendo toda a assistência desde seus 13, 14 anos. O Paysandu quer voltar a ser um clube vitorioso e formador, como sempre foi", diz o diretor técnico do Paysandu.
Fonte:
Amazônia Jornal
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