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Quinta-Feira, 02 de fevereiro de 2012

Paysandu comemora 98 anos

Missa na Curuzu marca a data quase centenária de um clube que nasceu para conquistar títulos e ser grande

Na data de hoje, há 98 anos, um grupo de 42 desportistas se reuniram à rua dos Pariquis, 22, em Batista Campos, e fundaram o Paysandu Sport Club. Hoje, a partir das 9 horas, os bicolores mandam celebra missa em ação de graças, na Casa do Atleta, no estádio Leônidas Castro, um orador se pronunciará sobre as glórias da agremiação e ao final será servido coquetel.

À frente da iniciativa de criar um novo clube, há 98 anos, estavam jovens estudantes da Faculdade de Direito, inconformados com uma decisão da Liga Paraense de Foot-Ball, entidade que dirigia o esporte na época, de não aceitar o recurso do Norte Club, do qual eram integrantes, que solicitava a anulação de um jogo do certame de 1913, contra o Guarany, que, acusavam, teria sido "cheio de irregularidades".

Como a Liga não deu bola para o pedido, a rapaziada do Norte Club, ou Time Negra (calções pretos e camisas com listas pretas e brancas, no sentido vertical), decidiram encerrar as atividades da agremiação, fundando-se outra, mais forte.

A Liga manteve o resultado de 1 a 1 do jogo do Norte Club com o Guarany, realizado em 15 de novembro de 1913, o que deu o título do campeonato ao Grupo do Remo (depois, Clube do Remo).

O líder do movimento era Hugo Manoel de Abreu Leão, e os integrantes do Grupo do Remo chegaram até a convidá-lo a ingressar no time campeão de 1913, mas ele recusou, pronunciando a seguinte frase: "Vou fundar um clube para superar o Grupo do Remo!"

O jornal "O Estado do Pará" publicou várias notas, convocando os desportistas que quisessem tomar parte na nova agremiação, que logo iria iniciar as suas seções de remo e futebol. Data da reunião: 2 de fevereiro de 1914, uma segunda-feira. Local: rua dos Pariquis, 22, residência de Abelardo Leão Conduru.

Na data anunciada, 42 desportistas compareceram, e, após muita discussão, houve a fundação da agremiação, que inicialmente passou a se chamar Paysandu Foot-Ball Club. O nome de Paysandu foi proposto por Hugo Leão, que lembrou aos presentes o episódio em que a Marinha de Guerra do Brasil saiu coberta de glórias, ao transpor o Passo do Paysandu, conquistando essa Cidade, no Uruguai, na Guerra travada contra o Paraguai, sob o comando do almirante Tamandaré e do general Mena Barreto.

Nessa assembleia, foi eleito o primeiro presidente, Deodoro de Mendonça, e foi escolhida uma comissão, composta pelos associados Deodoro de Mendonça, Eurico Amanajás e Arnaldo Moraes, destinada a redigir o Estatuto do Clube.

Seis dias após a reunião de fundação do Paysandu, Hugo Leão concedeu entrevista ao jornal "O Estado do Pará", profetizando e afirmando que "O Clube terá uma vida longa e cheia de sucesso".

No dia 10 de fevereiro houve a segunda assembleia geral e, por proposta de Mário Bayma de Moraes, foi aprovado o escudo do Clube, desenhado por ele próprio, em forma de pé alado, afirmando que ao desenhá-lo tinha firme na mente que "o objetivo da velocidade do time jamais seria igualada ou superada pelos seus adversários, pois chegaria aos limites do voo".

Na terceira assembleia geral, em 19 de fevereiro de 1914, foram definidos o uniforme do Clube e a mudança de denominação, passando de Paysandu Foot-Ball Club para Paysandu Sport Club.

Equipe engatou tricampeonato nos anos 20

Mostrando toda a sua pujança, o Paysandu montou a sua equipe de futebol e quatro meses após a fundação, já fazia sua estréia no Campeonato Paraense da Primeira Divisão, em 14 de junho de 1914, contra o Grupo do Remo, agremiação que já estava consolidada, pois havia sido fundada 9 anos antes, em 1905, e havia conquistado o certame de futebol de 1913.

O jogo foi disputado no estádio da firma Ferreira & Comandita (atual estádio Leônidas Castro) e contou com a presença de uma animada plateia, calculada em duas mil pessoas. A Liga não possuía quadro de árbitros, e os jogos eram dirigidos por integrantes de uma das agremiações que se defrontavam. O primeiro Re x Pa foi, então, dirigido por Guilherme Paiva, do quadro do adversário do Paysandu. O placar final foi de 2 a 1 para o Remo e os integrantes do Paysandu, na época, acusaram que "o Remo venceu devido à parcialidade do juiz Guilherme Paiva, que marcou contra o Paysandu uma penalidade máxima inexistente".

Em 1918, o Paysandu comprou as instalações do estádio da firma Ferreira & Comandita, por 12 contos de réis e, em 1920, chegou à conquista de seu 1° Campeonato Paraense de Futebol, repetindo o feito também nas três temporadas seguintes, 1921, 1922, 1923.

"Esquadrão de Aço" atropelou adversários na década de 30

O Paysandu Sport Club, devido às numerosas vitórias e títulos de campeão conquistados, logo galvanizou a simpatia de grande parcela de torcedores e, em 1927, inaugurou, com pompa, a sua sede social à avenida Nazaré, e passou a se constituir em celeiro de craques, pois em 1939 montou uma equipe que era quase imbatível, sendo cognominada pela imprensa de "Esquadrão de Aço", pois levava de roldão seus adversários, reinando no futebol do Norte do país.

Em 1945 houve a sua página mais gloriosa, até então, quando goleou o Clube do Remo por 7 a 0, em 22 de julho de 1945, no estádio de Antonio Baena, em jogo válido pelo Campeonato Paraense. Esse foi e continua sendo o maior placar da história do clássico Re x Pa em 710 jogos, marca alcançada no último domingo, com uma vitória sobre o seu grande rival, por 2 a 0.

Na década de 40, o Paysandu ganhou o nome de fantasia de "Papão da Curuzu", que lhe foi outorgado pelo jornalista Everardo Guilhon, que escrevia no jornal "A Vanguarda", justificando, em crônica que quando era criança sua mãe ao tentar colocá-lo para dormir, amedrontava-o, dizendo "dorme logo, pois lá vem o bicho-papão". Guilhon lembrou desse fato e como o Paysandu possuía um time que metia medo em seus adversários, colocou na manchete de "A Vanguarda": "Hoje treina o bicho-papão". E o apelido pegou.

No cenário esportivo paraense, o Paysandu é detentor de 44 campeonatos de futebol, a maioria dos 99 títulos disputados.

No início do Século XXI formou uma grande equipe, ganhando 6 títulos do Parazão, conquistou a Copa Regional do Norte, o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão (segunda conquista, o a primeira em 1991) a Copa dos Campeões do Brasil, ganhando vaga na Taça Libertadores da América. O Papão venceu o temível Boca Juniors, em plena La Bombonera, por 1 a 0, e concluindo sua participação em 5° lugar, na 1ª fase, que contava com oito grandes agremiações do Continente.



Fonte: Amazônia Jornal


 

Comentários (1)


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1º - Matheus \\

em 02/02/2012 | 10:35:23

Parabéns Paysandu quase 100 anos de glórias conquistadas como diz aquele saudoso samba:
\" É campeão paraense, da copa do norte alegria de milhões de corações é o Paysandu papão da curuzu Campeão dos Campeões\"



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