As vitórias
do Paysandu e a recuperação do Mangueirão
atraíram o público feminino aos campos de futebol,
sem medo de palavrões e assobios. Até torcidas
organizadas estão surgindo pela cidade
A beleza feminina está nos estádios rivalizando
com o tradicional machismo do torcedor. Bonitas, faceiras,
além de charmosas as mulheres bicolores encantam os
campos de futebol, sobretudo o Mangueirão que virou
reduto das bonitas torcedoras do Paysandu. Se a fraternidade
é azul e por que não dizer que a igualdade entre
homem e mulher é azul e branco, aliás, na realidade,
é bicolor, como se expressa a nação feminina
alvi-azul nos jogos do estádio olímpico. Hoje
não existe mais separatismo e os dois sexos se misturam
nas arquibancadas e cadeiras. Estudos apontam o crescimento
feminino nos campos. Em média cerca de 30% em relação
às competições do ano passado. O maior
número está no estádio olímpico
pela segurança e conforto que oferece às mulheres.
Sem dúvida que esse aumento tem como responsável
o Paysandu, hoje o santuário das beldades paraense.
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Na
década de 70, a dra. Elza Soares criou a torcida
uniformizada "bicoletes". As garotas ensaiavam
algumas coreografias antes e nos intervalos dos jogos
na Curuzu e também no Mangueirão. Mas
o trabalho da médica, mesmo sem ônus para
o clube, não era bem visto pela diretoria que
achava depreciativo para a agremiação.
Soares agüentou a barra por alguns anos e depois
criou a torcida "Paixãonossa", em pé
até hoje e sua maioria é composta por
mulheres.
Num mundo globalizado e mais o fascínio pelo
Paysandu levou a estudante Rosana dos Santos, 22 anos,
criar a torcida "Gatas da Fiel", que fez estréia
oficial no jogo diante da Portuguesa colocando uma enorme
faixa na qual se via uma sensual gata. Tudo bem que
a estréia da facção não
foi boa. |
O time perdeu o jogo, porém a "mulherada"
deu o recado para toda "marmanjada" com seus
gritos de guerra pelo Papão. |
"O grupo veio pra
ficar. Estamos com 20 pessoas, mas a pretensão é
chegar a 50 torcedoras", diz Rosana. Com apoio do presidente
Arthur Tourinho, a torcedora vem trabalhando para garimpar
mais gente. A senhora Mary dos Santos, 32, mora na Terra Firme
e quando teve conhecimento da torcida largou tudo e veio se
juntar ao grupo levando a tiracolo os filhos. "Vou pra
campo com elas". O marido de Mary, torcedor do clube,
apóia a decisão da esposa, mas segundo ela,
ele dá uma de machão. "Tenho de deixar
tudo pronto em casa, depois ir para o estádio". |